MAS QUEM MANDA AQUI?

Se formos fazer uma introspecção do país, veremos que há filhos e enteados entre os angolanos, sendo que os filhos usam e abusam do poder que ostentam em determinados sectores da vida social, e os enteados são os sacrificados e que vivem o sufoco de um país fracassado e sem políticas públicas concretas.

Vamos aqui olhar para a exploração dos taxistas em encurtar as vias e a forma abusiva que aumentam o preço da corrida de táxi sob o olhar indiferente das autoridades e a criação das milicias “turma do apito” pela incapacidade de a polícia combater a criminalidade.

A semana finda foi marcada de vários acontecimentos, desde sociais aos políticos e não caberão para serem analisados ou tratados num único texto, mas queremos olhar principalmente para questão da impunidade que muito nos preocupa, num país onde o presidente da República, no calor das emoções aquando do empossamento para as vestes do auto mandatário do país e depois como o número um do partido no governo, jurou diante da Constituição da República que enquanto ele for o presidente ninguém ficaria impune em caso de transgredir a lei, afirmando que “ninguém é demasiado pobre que não pode ser protegido e ninguém é tão rico que não pode ser levado à justiça”. Ficaram as palavras e as intenções porque hoje, a realidade prova o contrário.

Prova disto é a forma atabalhoada que se está a tratar o caso São Vicente, a impunidade clara de Francisco Silva da Jefran que burlou mais de 3 bilhões de kwanzas a 490 famílias e ainda continua a ter a proteção dos órgãos de Estado, a perseguição e chumbo político do PRA-JA, entre outras ações que metem vergonha na cara da nossa justiça.

Pois, desde que se declarou a Situação de Calamidade pública no país pelo Decreto Presidencial n.º 142/20 de 25 de Maio, por força da pandemia da Covid-19, os transportes públicos e de passageiros foram reduzidos a sua capacidade de lotação passando estes a serem permitidos a circularem com apenas 50 porcento da sua capacidade. Os taxistas viram assim a sua actividade prejudicada e para recompensar estas perdas têm vindo a criar “manobras” que dificultam a vida de quem depende deste meio para se locomover, uma vez que o mesmo decreto alargou a abertura as permissões da circulação dos cidadãos, aumentando assim o fluxo de pessoas nas paragens. Os taxistas têm encurtado as vias e aumentado os preços do táxi de forma ilegal e sobre o olhar sereno da polícia nacional que nem se dá ao trabalho de fiscalizar porque com os taxistas o polícia só quer a “gasosa”.

Entende-se que a vida está difícil para todos e os taxistas têm contas diárias por apresentar, mas isto não lhes dá ao direito de dificultar ainda mais a vida dos outros cidadãos que circulam através destes meios, fazendo-lhes à vida um inferno. Na estrada de Catete, por exemplo, a viagem de Viana ao primeiro de maio em épocas normais poderia ser feita com apenas um táxi, num valor que variava entre os 150 e 200 Kwanzas, hoje quem circula nesta via para sair de Viana ao primeiro de maio deve subir em 5 ou 6 táxis pagando na maior das vezes 200Kz, quanto é que alguém que vive Viana e trabalha na cidade gasta por semana?

É para nós, um acto de impunidade isto, e as autoridades assistem silenciosamente e nada dizem, mesmo vendo os aglomerados nas paragens numa fase em que os aglomerados não devem existir para evitar a transmissão e propagação da Covid-19.

Outro acto de impunidade pura é o filme de terror, em que as zungueiras são submetidas todos os dias pelos fiscais, estes usam e abusam do poder que lhes é confiado para fiscalizar e pisoteam sem piedade tudo e todas sem um “pingo” de piedade. As autoridades deveriam ter capacidade de sensibilizar a sociedade a enveredar para as boas práticas quando esta não o faz, antes de partir para agressão física, o que por lei também é crime, mas não é o que acontece com os fiscais que molestam muitas senhoras que encontraram na zunga, onde estás buscam sustento para as suas famílias, visto que, muitas delas são mães solteiras e outras têm os maridos desempregados, uma vez que, não existem políticas públicas que protege os miseráveis no país.

O aumento exponencial da zunga ambulante é o reflexo da má governação mas fogem observar a realidade sobre este ângulo e apegam-se a combater as consequências multiplicando cada vez mais o problema quando deveria se combater as causas, que passam por potencializar os campos com políticas concretas de agricultura em todas províncias, fazer funcionar a indústria para diminuir o nível elevado do desemprego, entre outras medidas, do que estarem a correr com esta gente que vai à rua em busca de pão, os supostos fiscais não passam de um anglomerado de vândalos que têm o apoio das administrações e da polícia, mas ainda assim, roubam os produtos que recebem e agridem os vendedores ambulantes, ninguém diz nada e muitas vezes isto acontece sobre o olhar da polícia que em muitos casos são também eles a correrem com as zungueiras, e percebe-se que deve haver um polícia para cada zungueira, só em Luanda, mas não há polícia suficiente para combater a criminalidade nos bairros.

Por isso, a polícia acha que deve se criar as brigadas de vigilância “turma do apito” compostas por cidadãos residentes nestes bairros onde há índice elevado de criminalidade, sem antes pensar que esta responsabilidade de manter a ordem e a tranquilidade é da polícia, deste modo, vão transferindo competências a cidadãos muitos deles frustrados com as péssimas condições de vida que levam, podendo estes vir a tornar-se milícias um dia depois de ter poder financeiro pondo em risco a própria sociedade em vez de defende-la e a Polícia poderá não ter condições de trava-los.

Deve se chamar à responsabilidade a todos os servidores públicos a desempenharem as suas funções com zelo e dedicação, e para o benefício de todos. Por isso, quem têm à sua disposição os bens do país para geri-los, é para cumprir e acrescentar valor, não para driblarem todos os problemas possíveis que inquietam o povo, e pensarem que fazem-nos favor quando são chamados a acudir uma situação.

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